Em aula de campo, estudantes conhecem a realidade de conflitos ambientais em comunidades tradicionais do CE e RN

Nos dias 25 e 26 de setembro de 2017, estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Autônoma do México (UNAM) participaram de aula de campo nas comunidades do Cumbe (Aracati/CE) e Apodi (RN). A atividade fez parte das disciplinas de Conflitos Ambientais, Trabalho e Saúde e de Tópicos Avançados em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, integrantes curriculares, respectivamente, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da UFC.

Em sala de aula, os debates facilitados pela professora Dra. Raquel Rigotto, responsável pela disciplina, versaram sobre a incidência de conflitos socioambientais decorrentes de atividades econômicas e grandes empreendimentos associados ao neoextrativismo econômico brasileiro. Com base na noção de injustiça ambiental, foram discutidas as transformações territoriais que ocorrem a partir da chegada de grandes obras e empreendimentos econômicos e que atingem predominantemente comunidades de camponeses e pescadores tradicionais, indígenas, quilombolas e periferias urbanas. As consequências envolvem aspectos sociais, ambientais e impactos à saúde.

Na aula de campo, os estudantes conheceram locais que vivenciam conflitos ambientais no Ceará e no Rio Grande do Norte. No município de Aracati (CE), a comunidade de pescadores e pescadoras tradicionais do Cumbe há cerca de vinte anos é atingida pelos impactos da instalação e operação de empresas de carcinicultura e, mais recentemente, de parques eólicos. Já no município de Apodi (RN), comunidades camponesas são ameaçadas pela chegada de perímetros irrigados e de grandes empresas do agronegócio na região da Chapada do Apodi.  As consequências incluem destruição e contaminação química de rios e do solo por substâncias utilizadas no cultivo de camarões e dos agrotóxicos; a restrição aos pescadores do acesso à praia e lagoas; além de uma série de doenças causadas pelo contato humano com agrotóxicos e outras substâncias químicas, como o câncer.

Além dos alunos da disciplina, o momento de campo também contou com a participação de visitantes de Minas Gerais, São Paulo, Espanha e Alemanha. No Cumbe, o grupo visitou as áreas de carcinicultura e dos parques eólicos, e participou de uma roda de conversa com a Associação Quilombola do Cumbe. Em Apodi, conheceu o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR-Apodi) e experiências de agroecologia e agricultura familiar da região. Além disso, os estudantes visitaram a obra interrompida de barramento e desvio da água do Rio Apodi para abastecer as empresas do agronegócio, que causou danos irreversíveis aos cursos d’água e à biodiversidade natural local, e afetou a segurança hídrica de comunidades próximas.

Nesse contexto, as comunidades camponesas e pescadoras elaboram enfrentamentos e resistências aos impactos desses grandes projetos de desenvolvimento adotados no país, organizadas em associações comunitárias e articuladas com movimentos sociais, organizações não-governamentais, órgãos públicos e pesquisadores acadêmicos.

 

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